"Quando ao sair de minha solidão, atravessava pela primeira vez esta ponte, não dei crédito aos meus olhos, não cessei de olhar e acabei por dizer: 'Isto é uma orelha!. Uma orelha do tamanho de um homem!'.
Acercava-me mais, e por trás da orelha movia-se algo tão pequeno, mesquinho e débil que fazia compaixão.
E efetivamente: a monstruosa orelha descansava num tênue cabelo, e esse cabelo era um homem!
Olhando através de uma lente ainda se podia reconhecer uma cara invejosa, e também uma alma vã que se agitava no remate do cabelo.
O povo, contudo, dizia-me que a orelha grande era não só um homem mas um grande homem, um gênio. Eu, porém, nunca acreditei no povo quando ele me falava de grandes homens, e sustento a minha idéia de que era um aleijado às avessas que tinha pouquíssimo de tudo e uma coisa em demasia."
Friedrich Nietzsche
Nenhum comentário:
Postar um comentário